Classes Gramaticais e Coesão Textual

 

Olá! Dando continuidade às aulas do Módulo II, o nosso objetivo de hoje é entender de que forma as classes gramaticais atuam na coesão textual

A coesão textual está relacionada à adequada articulação entre as palavras e frases de um texto, evitando repetições desnecessárias e garantindo a fluidez do pensamento. 

Vamos lá! 

Pronomes

Os pronomes são palavras fundamentais para a coesão referencial. Afinal, o pronome tem a capacidade de substituir ou acompanhar um substantivo, evitando repetições desnecessárias e conectando uma palavra a algo que já foi expresso no texto (anáfora) ou que ainda será anunciado no texto (catáfora).

• Anafóra (retomada): O pronome resgata um termo mencionado anteriormente para evitar repetição.
Exemplo: "Os candidatos chegaram cedo; eles estavam bastante preparados." (O pronome "eles" retoma o substantivo "candidatos"; trata-se de anáfora).

• Catafóra (antecipação): O pronome aponta para um novo elemento que surgirá na frase.
Exemplo: "O problema era só este: a falta de planejamento." (O pronome "este" antecipa a informação; trata-se de catáfora).

• ATENÇÃO!
- Este/Esta/Isto: refere-se ao que ainda vai ser dito no texto.
- Esse/Essa/Isso: retoma algo que acabou de ser dito.

Conjunções

As conjunções (e locuções conjuntivas) estabelecem as relações lógicas entre as frases e orações, orientando o raciocínio do leitor, ajudando a promover a coesão sequencial, a progressão das ideias. 

• Oposição/Adversidade: Marcada por mas, porém, contudo, todavia, no entanto.
Exemplo: "Estudou muito, porém não obteve o resultado esperado."

• Causa e Consequência: Conectores como porque, visto que, já que, portanto, por conseguinte.
Exemplo: "Como não havia verba suficiente (causa), o projeto foi suspenso (consequência)."

• Concessão: Ideia de contraste sem anular o fato principal (embora, ainda que, mesmo que).
Exemplo: "Embora estivesse chovendo, fomos à caminhada."

 

Logo, o uso incorreto de uma conjunção altera completamente o sentido do texto e compromete a coerência do texto. Dizer, por exemplo, que "estudou muito, logo foi reprovado" é algo que não faz sentido, já que a conjunção conclusiva foi usada no lugar de uma conjunção adversativa. E assim, toda a coerência e coesão vai por água abaixo por causa de uma única palavrinha.

 

Portanto, é fundamental conhecer as conjunções e as ideias que elas transmitem. Não deixe de revisar os demais tipos de conjunções coordenativas e subordinativas que estudamos aqui (aula 22)

Substantivos

A coesão lexical ocorre quando encadeamos o texto por meio da escolha do vocabulário, utilizando sinônimos (palavras de significados semelhantes), hiperônimos (termos mais amplos) ou hipônimos (termos mais específicos). Dessa forma, evitamos a repetição de palavras. 

• Sinônimos: Troca de palavras por termos equivalentes ou semelhantes.
Exemplo: "Os alunos entraram na sala e sentaram em silêncio. Os estudantes estavam ansiosos pelo resultado da prova."

• Hiperônimos e Hipônimos: Retomada de um termo específico por uma palavra de sentido genérico (hiperônimo) ou mais específico (hipônimo).
Exemplo: "Comprei uma orquídea rara. A planta exige cuidados diários." (Planta é hiperônimo de orquídea; orquídea é hipônimo de planta).

Artigos e Numerais

Tanto os artigos quanto os numerais contribuem para a identificação e ordenação dos elementos no discurso.

• Artigo Indefinido → Definido: Apresenta-se algo ou alguém com artigo indefinido e, após ser conhecido no texto, retoma-se com o artigo definido.
Exemplo: "Apareceu um cão na rua. O animal parecia amigável."

• Numerais: os numerais ordinais (primeiro, segundo) e distributivos (ambos, cada) mantêm a organização dos tópicos abordados.
Exemplo: "Analisamos dois projetos: o primeiro trata da saúde; o segundo, da educação. Ambos são essenciais."

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