Olá! Esta é a aula de nº 13 do Módulo II – Classes Gramaticais. E hoje daremos início ao estudo da classe dos verbos. A partir de agora, veremos tudo o que você precisa saber sobre esse importante conteúdo, mesmo que você esteja começando do zero.
Vamos lá!
O que é verbo?
Chamamos de verbos as palavras que expressam, principalmente, ideia de ação, fenômeno natural, estado ou mudança de estado. Além disso, os verbos variam (são escritos de diferentes maneiras) de acordo com o modo, o tempo, o número e a pessoa que esteja realizando a ação indicada por ele.
Por causa dessas características, o verbo é a classe que mais varia na língua portuguesa. Só para você ter uma ideia, um verbo como "cantar" tem mais de 60 formas diferentes de ser escrito: cantar, cantou, cantarei, cantei, cantamos, cantasse, cantai, cantara, cantaremos, cantarmos, cantaste, cantado, cantando... E cabe a você identificar corretamente cada verbo em cada situação.
Mas calma... vamos por partes...
Primeiro, vamos entender melhor a semântica do verbo (isto é: as ideias, os sentidos que os verbos podem indicar).
A semântica do verbo
Ação é aquilo que alguém (ou algo) realiza, faz.
Exemplos de verbos (ação): correr, nadar, pensar, escrever, pular, falar, estudar...
Exemplo numa frase: "Eu estudei muito ontem".
Fenômeno indica acontecimentos naturais e espontâneos.
Exemplos de verbos (fenômenos): anoitecer, chover, nevar, ventar...
Exemplos de frase: "Hoje choveu bastante".
Estado indica a condição ou modo de ser em que se encontra algo ou alguém.
Exemplos de verbos (estado): estar, parecer, ficar.
Exemplo de frase: "Roberto está muito feliz".
Mudança de estado indica a mudança de uma condição para outra.
Exemplos de verbos (mudança de estado): ficar, virar, tornar-se...
Exemplo de frase: "Ele ficou triste".
Nota do professor: essas são as principais ideias que os verbos transmitem (e as principais que são explicadas pelas gramáticas). Porém, existem muitas outras: verbos podem indicar desejo ("eu quero chocolate), existência ("existem dois caminhos até lá"), necessidade ("eu preciso de ajuda"), posse (Leandro tem dois cachorros) e por aí vai... Por isso, para além da semântica (ou seja: para além da ideia que o verbo expressa), é fundamental entender todas as outras características dos verbos para reconhecê-los. Não basta saber apenas que verbo é aquilo que "indica ação".
Flexão (conjugação) do verbo
Quando usamos os verbos nas frases, eles geralmente aparecem conjugados, pois precisamos indicar quem realiza a ação (pessoa/número), quando ela aconteceu (tempo) e de que forma aconteceu (modo). Portanto, dizemos que um verbo está conjugado (ou flexionado) quando ele é escrito de uma forma específica para cada pessoa, número, modo e tempo, seguindo um padrão de conjugação.
Veja três exemplos de frases com diferentes conjugações do verbo "estudar":
Eu estudei ontem.
(tempo: pretérito perfeito; modo: indicativo; pessoa/número: 1ª p. singular)
Nós estudaremos amanhã.
(tempo: futuro do presente; modo: indicativo; pessoa/número: 1ª p. plural)
Talvez eles estudem amanhã.
(tempo: presente; modo: subjuntivo; pessoa/número: 3ª p. plural)
Formas nominais do verbo
E quando o verbo não está conjugado, ele aparece em uma das três forma nominais: infinitivo,
gerúndio ou particípio. Cada uma delas é identificada de acordo com a terminação do verbo. Veja:
Infinitivo: O verbo estará no infinitivo quando terminar em AR, ER ou IR.
Exemplos: nadar, calar, cantar, beber, correr,
esquecer, cair, dirigir, sorrir.
Os terminados em AR são verbos de primeira conjugação
(cantar, nadar, roubar, falar...).
Os terminados em ER são verbos de segunda
conjugação (vender, correr, beber, esquecer...).
Os terminados em IR são
verbos de terceira conjugação (partir, cair, rir, mentir, sorrir...).
Observação: O verbo “pôr” e seus derivados (compor, depor, repor,
etc) são verbos considerados de segunda conjugação (terminado em ER), pois a
forma antiga do verbo “pôr” é “poer” (segunda conjugação).
Gerúndio: O verbo estará no gerúndio quando terminar em ANDO, ENDO ou INDO.
Exemplos: nadando, viajando, correndo, escrevendo,
sorrindo, partindo.
Particípio: o verbo estará no particípio quando terminar em ADO ou IDO.
Exemplos: dançado, cantado, viajado, soluçado,
vendido, bebido, caído.
Observação: existem verbos que têm particípio irregular, pois não seguem a terminação "ADO" ou "IDO", que são terminações padrões do particípio regular.
Por exemplo: o particípio do verbo "abrir" é "aberto" (ou seja: falamos "a porta está aberta" em vez de "a porta está abrida").
Existem verbos que também aceitam as duas formas ao mesmo tempo (particípio regular e
irregular), dependendo de como são usados. Exemplo: o verbo “imprimir” aceita dois
particípio. O particípio regular é “imprimido” (eu tinha imprimido o documento ontem) e o
particípio irregular é “impresso” (o documento está impresso).
Como conjugar os verbos?
Conforme já vimos antes, os verbos são conjugados de acordo com a pessoa e número (quem faz), modo (como faz) e tempo (quando faz). Vamos estudar cada um desses elementos agora.
Conjugação: pessoa e número
Sabemos que “algo” ou “alguém” realiza a ação expressa pelo verbo, ou
seja: algo ou alguém realiza a ação de cantar, de nadar, de vender e por aí vai. Esse
algo ou alguém é a pessoa do discurso. E a palavra que representa a pessoa é o pronome pessoal (que estudamos em aulas anteriores).
Ao todo, existem três pessoas do discurso:
EU
1ª pessoa
(quem fala)
TU
2ª pessoa
(com quem fala)
ELE
3ª pessoa
(de quem fala)
Essas pessoas podem variar quanto ao número, ou seja: podem estar no singular ou no plural da seguinte forma:
o plural de EU: NÓS;
o plural de TU: VÓS;
o plural de ELE/ELA: ELES/ELAS.
Sendo assim:
|
Pessoa Gramatical |
Pronomes (Caso Reto) |
|
1ª Pessoa (Singular) |
eu |
|
2ª Pessoa (Singular) |
tu |
|
3ª Pessoa (Singular) |
ele, ela |
|
1ª Pessoa (Plural) |
nós |
|
2ª Pessoa (Plural) |
vós |
|
3ª Pessoa (Plural) |
eles, elas |
Os pronomes pessoais do caso reto são aqueles que conjugam os verbos. Portanto, para cada um deles, o verbo é escrito
(conjugado) de um modo específico.
Exemplo: o verbo CORRER pode ser conjugado de várias formas para expressar, por exemplo, uma ação que ocorre todos os dias. Tudo depende de quem está correndo.
Eu corro todos os dias.
Tu corres todos os dias.
Ele corre todos os dias.
Nós corremos todos os dias.
Vós correis todos os dias.
Eles correm todos os dias.
Veja que, para cada verbo, temos uma terminação diferente, dependendo do pronome ("eu", "tu", "ele"...). Essas terminações são chamadas de desinências verbais.
A desinência verbal e o padrão de conjugação
Cada verbo conjugado termina com uma desinência verbal, que nos indica a pessoa e o número da conjugação. Estudaremos mais detalhes no conteúdo de Estrutura de Palavras.
Corro todos os dias (corro => "eu")
Corremos todos os dias (corremos => "nós")
Essas desinências (terminações) sempre se repetem nos verbos regulares, formando padrões. Portanto, se você souber conjugar um verbo, você consegue conjugar todos os outros verbos regulares que pertencem à mesma conjugação. Verbos que fogem do padrão são chamados de verbos irregulares.
Como o verbo "correr" é de segunda conjugação (pois termina em "ER", lembra?), todos os outros verbos regulares de segunda conjugação seguem o mesmo padrão, terminando com a mesma desinência verbal ao serem conjugados no mesmo modo, tempo, pessoa e número:
EU...
corro todos os dias (correr)
vendo todos os dias (vender)
como todos os dias (comer)
escrevo todos os dias (escrever)
NÓS...
corremos todos os dias (correr)
vendemos todos os dias (vender)
comemos todos os dias (comer)
escrevemos todos os dias (escrever)
Ou seja: a desinência "o" indica que o verbo está conjugado na primeira pessoa do singular ("eu") do presente do indicativo. Por outro lado, a desinência "emos" indica que o verbo está conjugado na primeira pessoa do plural ("nós") do presente do indicativo.
Conjugação: tempo
A conjugação também pode variar no tempo, ou seja: a ação pode
ser expressa no passado (pretérito), no momento atual (presente) ou no futuro. Para uma mesma pessoa (pronome), há várias possibilidades de conjugação no tempo:
Eu corro todos os dias (presente)
Eu correrei todos os dias (futuro)
Eu corri todos os dias (passado/pretérito)
Observe que também temos desinências verbais específicas para cada verbo conjugado em cada tempo. A desinência verbal "erei", por exemplo, é típica da primeira pessoa do singular ("eu") no futuro do indicativo (eu correrei, eu comerei, eu estudarei...).
Observe que os padrões de conjugação vão se repetindo.
Conjugação: modo
Por fim, além da pessoa (1ª, 2ª, 3ª), do número (singular, plural) e do tempo (pretérito, presente, futuro), a conjugação também pode variar de acordo com o modo, ou seja: a forma com que a ação indicada pelo verbo está sendo realizada.
Existem, ao todo, três modos: indicativo, subjuntivo e imperativo.
Modo
indicativo: usado para indicar um fato concreto. Indica a certeza de que algo aconteceu, está acontecendo ou que vai acontecer.
Exemplo: eu conversei com ele ontem.
Modo
Subjuntivo: usado para indicar hipótese, possibilidade ou dúvida.
Exemplo: talvez eu converse com ele amanhã.
Modo
Imperativo: usado para indicar ordem ou pedido.
Exemplo: converse com ele, por favor.
Conclusão
Cada verbo pode ser escrito de inúmeras maneiras. Para cada
pessoa e número ("eu", "tu", "ele", "nós", "vós", "eles"), em cada tempo (pretérito, presente,
futuro) de cada modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), teremos uma forma específica de escrever um verbo.
E como saber qual é a forma correta?
Não se preocupe, pois veremos isso, em detalhes, nas próximas aulas. Até lá!
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