Já vimos, na aula anterior, que tudo o que existe (no mundo real ou imaginário) precisa ter um nome. E essa palavra, que funciona como nome de coisa ou de alguém, é chamada de substantivo.
Os únicos pronomes que não acompanham algum substantivo são os pronomes "eu" e "ela", que funcionam como pronomes substantivos (ou seja: substituem substantivos): "eu observava"; "ela colocou as sacolas".
Avançando para a parte II: verbos, advérbio, preposição, conjunção e interjeição
Verbos
Os verbos são palavras que indicam principalmente ações e eles são conjugados em cada uma das pessoas do discurso (exemplo: "eu estudo; tu estudas; ele estuda, nós estudamos...).
Vamos voltar ao texto e marcar os verbos com a cor laranja:
O pequeno mercado estava vazio, mas dois clientes conversavam ali. Eu observava aquelas pessoas calmas e pensava que aquele dia estava muito quente, porque o sol brilhava forte sobre a rua. Minha irmã trouxe algumas frutas para casa. Ela colocou as sacolas na mesa e saiu depressa para o trabalho.
Observe como os verbos "conversavam", "observava", "pensava", "brilhava", "trouxe", "colocou" e "saiu" marcam as ações
que foram realizadas ao longo do texto. Para cada substantivo (ou
pronome substantivo) temos alguma coisa que é realizada por meio de um
verbo:
(Os clientes) conversavam...
(Eu) observava...
(Eu) pensava...
(O sol) brilhava...
(Minha irmã) trouxe...
(Ela) colocou...
(Ela) saiu...
Opa! Faltou um verbo na nossa lista: "estava". Ele aparece duas vezes no texto:
(O mercado) estava...
(Aquele dia) estava...
Veja
que "estava" destoa dos demais verbos, pois não indica uma ação
propriamente dita, mas sim apenas liga o sujeito ao seu atributo
(mercado <=> vazio; dia<=>quente). Trata-se de um tipo
específico de verbo: é um verbo de ligação.
Advérbios
Já vimos que os verbos indicam ações (o que foi feito), mas não explicam quando, onde, nem de que modo as coisas acontecem. E é aí que os advérbios entram em cena.
Os advérbios são palavras que trazem informações adicionais: quando algo aconteceu, como aconteceu, onde aconteceu, de que forma aconteceu, e por aí vai. Essas informações são chamadas de circunstâncias.
Vamos voltar ao texto e marcar os advérbios de azul:
O pequeno mercado estava vazio, mas dois clientes conversavam ali. Eu observava aquelas pessoas calmas e pensava que aquele dia estava muito quente, porque o sol brilhava forte sobre a rua. Minha irmã trouxe algumas frutas para casa. Ela colocou as sacolas na mesa e saiu depressa para o trabalho.
Conversavam onde?
Resposta: conversavam ali ("ali" => advérbio de lugar).
O quanto o dia estava quente?
Resposta: estava muito quente ("quente" => advérbio de intensidade).
Como o sol brilhava?
Resposta: brilhava forte ("forte" =>advérbio de modo).
Nota do professor: a palavra "forte" é, originalmente, um adjetivo (como ocorre em "homem forte"). Porém, na frase "o sol brilhava forte", a palavra "forte" é um advérbio de modo. Afinal, dizer que "o sol brilhava forte" equivale a dizer que "o sol brilhava fortemente".
Saiu de que forma para o trabalho?
Resposta: saiu depressa ("depressa" => advérbio de modo).
Logo, os advérbios são palavras que modificam um verbo. Afinal, dizer "saiu depressa" é diferente de "saiu lentamente".
Em cada caso, o advérbio modifica o sentido do verbo "saiu": uma coisa é
sair depressa, outra coisa (totalmente diferente) é sair lentamente.
E além dos verbos, os advérbios também podem acompanhar e modificar o sentido de adjetivos ou, até mesmo, de outros advérbios (veremos isso nas próximas aulas).
Preposições e conjunções
Olhando agora para o que sobrou no texto, restam as preposições e conjunções que funcionam como elementos de ligação, conectando palavras (no caso das preposições) ou frases (no caso das conjunções). Veja:
O pequeno mercado estava vazio, mas dois clientes conversavam ali. Eu observava aquelas pessoas calmas e pensava que aquele dia estava muito quente, porque o sol brilhava forte sobre a rua. Minha irmã trouxe algumas frutas para casa. Ela colocou as sacolas na mesa e saiu depressa para o trabalho.
As
palavras "mas", "que", "porque" e "e" funcionam como conjunções,
estabelecendo relações entre frases, enquanto "sobre" e "para" são
exemplos de preposições que fazem a ligação de uma palavra com outra.
E a interjeição?
Para completar o reconhecimento das 10 classes gramaticais, falta saber o que é interjeição.
A interjeição é a palavra usada para expressar diferentes emoções, como medo, admiração, alegria, raiva, tristeza, entre outros (que estudaremos mais adiante). Geralmente é a última classe gramatical a ser estudada.
Exemplos de interjeição e de locuções interjetivas: "meu Deus!", "minha nossa!", "caramba!", "ah!", "oh!", "ai"...
Conclusão
Nessas duas primeiras aulas, você conheceu as principais características de todas as 10 classes gramaticais da língua portuguesa e também entendeu a função de cada uma delas dentro dos textos. Agora que você já tem uma noção geral desse conteúdo, vamos estudar cada uma delas com mais detalhes (classificação, exemplos, flexões e muito mais). É isso que faremos a partir da próxima aula.
Até lá!
Nenhum comentário:
Postar um comentário