Olá! Dando sequência às aulas do Módulo II - Classes Gramaticais, hoje nós vamos estudar a relação das classes gramaticais com a próclise. Esse assunto faz parte do conteúdo de Colocação Pronominal, que será estudado, com mais detalhes, lá no Módulo VI. Por enquanto, estamos apenas adiantando uma parte desse conteúdo para que você conclua o estudo das classes gramaticais já conhecendo noções básicas de colocação pronominal.
O que estudaremos nesta aula?
Nesta aula, identificaremos quais são as classes gramaticais que funcionam como palavras atrativas para a ocorrência da próclise (ou seja: colocação do pronome oblíquo átono antes do verbo).
💡 Recordando: O que são Pronomes Oblíquos Átonos?
Antes de avançarmos, vale a pena relembrar: os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos, o, a, os, as, lhe, lhes) são aqueles que funcionam como complemento verbal e não possuem acento tônico próprio (ou seja: são pronunciados com pouca intensidade sonora). Estudamos esse conteúdo aqui (Aula 12).
As palavras atrativas
Quando uma palavra atrativa aparece antes do verbo, ela atrai o pronome para perto de si, fazendo com que ele fique posicionado antes do verbo (fenômeno conhecido como próclise).
Por exemplo: ao invés de falarmos "ele nunca entregou-me o relatório que pedi", devemos dizer "ele nunca me entregou o relatório que pedi", pois o advérbio "nunca", por questões de sonoridade e eufonia (ou seja: combinação harmoniosa de sons na pronúncia das palavras e frases), atrai o pronome "me" para frente do verbo "entregou".
Compreender o valor morfológico dessas palavras é o passo fundamental para dominar a construção das frases segundo a norma-padrão.
Quais Classes Gramaticais são palavras atrativas?
• Não me avisaram sobre o início das aulas.
• Ninguém se ofereceu para arrumar a sala.
• Nunca lhe pediram favores pessoais.
• Jamais nos esqueceremos desta viagem.
• Nada me fará mudar de opinião sobre o tema.
• Sempre lhe disseram a verdade.
• Aqui se vive com tranquilidade e segurança.
• Já nos comunicaram sobre a alteração do cronograma.
• Talvez te chamem para a entrevista de emprego.
OBS: Quando há pausa marcada por vírgula após o advérbio, a força atrativa é interrompida, de modo que não ocorre próclise (Ex: "Na semana passada, falaram-me sobre o projeto").
• Este é o livro que me indicaram. (Pronome Relativo)
• Encontrei o colega cujo irmão se matriculou no curso. (Pronome Relativo)
• Poucos se importaram com a alteração do regulamento. (Pronome Indefinido)
• Tudo me pareceu transparente e correto. (Pronome Indefinido)
• Quem te contou este segredo? (Pronome Interrogativo)
• Qual das opções lhe agrada mais? (Pronome Interrogativo)
• Ficamos felizes porque se lembraram do nosso aniversário.
• Quando nos chamarem, entraremos na sala.
• Embora se esforçasse, não alcançou a nota média.
• Avise-me se te enviarem o e-mail de confirmação.
• Conforme lhe explicamos, a entrega foi adiada.
Por que a Próclise existe?
Como os pronomes oblíquos são átonos (desprovidos de acento tônico), eles são mais "fracos" e tendem a se apoiar na sílaba tônica da palavra antecedente que possui maior relevo prosódico na frase, originando, assim, a próclise.
Portanto, a próclise existe por uma questão fonética, ou "fonética sintática", como nos ensina Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática Portuguesa.
Ou seja: O pronome oblíquo átono não tem força tônica própria. Ele é atraído para antes do verbo porque a palavra atrativa cria um centro de gravidade prosódico na frase, fazendo o verbo perder sua força enclítica natural.
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