Substantivo: flexão de grau (aumentativo e diminutivo)

 

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Olá! Esta é a quarta aula do Módulo II - Classes Gramaticais. E hoje o nosso objetivo é estudar o aumentativo e o diminutivo dos substantivos. 
 
Vamos lá! 

 Flexão de Grau 

 
Substantivos são capazes de terem um aumento (grau aumentativo) ou uma diminuição (grau diminutivo) em seu nível de significação e isso é feito por meio da flexão de grau. O substantivo “menino”, por exemplo, pode se flexionar no aumentativo (“meninão”) ou então no diminutivo (“menininho”). 
 
 

 Flexão de Grau -  SINDÉTICO 

 
A flexão de grau do tipo sindético é, na realidade, um processo de derivação, na qual acrescentamos terminações (sufixos) à palavra original, indicando uma ideia de aumento ("ão", "alhão", "eirão", "ona") ou então de diminuição ("inho", "zito"). 
 
 Exemplos:
 
 

Normal

Aumentativo (Sindético)

Diminutivo (Sindético)

homem

homenzarrão

homenzinho

casa

casarão

casebre

nariz

narigão

narizinho

 
   
Essas terminações que acrescentamos ao final dos substantivos são chamadas de sufixos aumentativos e sufixos diminutivos.  Veja mais alguns exemplos:
 
 
 
 

Sufixos Aumentativos

Sufixos Diminutivos

-ão

garrafa => garrafão

-zinho

chapéu => chapeuzinho

-aço

bala => balaço

-inho

dedo => dedinho

-aça

barco => barcaça

-acho

rio => riacho

-alha

muro => muralha

-ebre

casa => casebre

-aréu

povo => povaréu

-icho

rabo => rabicho

-arra

boca => bocarra

-eta

estátua => estatueta

-eirão

voz => vozeirão

-eca

sono => soneca

-zão

pé => pezão

-eco

jornal => jornaleco

-orra

cabeça => cabeçorra

-culo

verso => versículo

-ázio

copo => copázio

-ico

namoro => namorico

-arrão

gato => gatarrão

-ejo

vila => vilarejo

-alhão

esperto => espertalhão

-ela

rua => ruela

 
 

 Flexão de Grau -  ANALÍTICO 

 
Por outro lado, a flexão de grau do tipo analítico é feita sem alterar o substantivo, mantendo a palavra original. Nesse caso, usamos outra palavra (um adjetivo) junto com o substantivo para expressar o aumentativo ou o diminutivo.
 
Exemplos:
 
 

Normal

Aumentativo (analítico)

Diminutivo (analítico)

homem

homem grande

homem pequeno

casa

casa grande

casa pequena

nariz

nariz grande

nariz pequeno

 

 

 Mudança de significado 

 
Alguns substantivos flexionados no aumentativo ou no diminutivo mudaram de significado ao longo do tempo, distanciando-se completamente do sentido original das palavras de origem. Veja, abaixo, alguns casos:
 
 

Palavra derivada

Palavra Primitiva

glóbulo

globo

célula

cela

portão

porta

caldeirão

caldeira

 
  
 
 

 Efeitos semânticos da flexão de grau  

 
Mudar o grau de um substantivo para aumentativo ou diminutivo é algo capaz de alterar completamente o tom e o sentido da palavra original. Veja:
 
 
Você ainda lê esse jornal?
Você ainda lê esse jornaleco
 
 
Observe que trocar jornal pelo diminutivo jornaleco confere à frase um tom mais negativo (pejorativo). Ao se referir ao jornal como "jornaleco", o autor da frase não está necessariamente dizendo que o jornal é pequeno ou de curta extensão, mas sim que é um jornal ruim, de qualidade inferior. 
 
 
 
Não adianta ficar mandando textão para mim no WhatsApp!
 
Nesse caso, mais do que o aumentativo de "texto", o substantivo "textão" virou um termo popular usado para se referir a textos exageradamente longos ou desnecessários que superam o limite aceitável para postagens, tendo, portanto, caráter negativo. 
 
 
 Ela é uma flor!
Ela é uma florzinha!
 
Nesse exemplo, ocorre o inverso: trocar flor pelo diminutivo florzinha confere à frase um tom mais amigável, carinhoso, delicado e afetivo. 
 
Ela escreveu uma carta para você. 
Ela colocou um cartão junto com o presente.
Vou pagar com o cartão de crédito. 
 
A palavra "cartão" é o aumentativo de "carta". Entretanto, na segunda frase, o sentido de "cartão" não é o de "carta grande", mas sim de um papel pequeno, com uma breve mensagem, que a gente costuma enviar junto com um presente. Portanto, o aumentativo, aqui, mudou completamente o sentido da palavra "cartão". E na terceira frase, "cartão" também  não tem nada a ver com "carta grande", mas sim com o objeto (físico ou virtual) que utilizamos como forma de pagamento. 
 
"Cartão" só teria o sentido de "carta grande" em frases como:
 
Ele escreveu muito! Não escreveu uma carta... escreveu um cartão 
 
 
 
 
 

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BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 39.ed. rev. e ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2019. 

CUNHA, Celso; LINDLEY, Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 6.ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013.  

HAUY, Amini Boainain. Gramática da Língua Portuguesa Padrão. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2014. 


LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 48.ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2010. 

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa Gramática Completa. 34.ed. São Paulo: Matrix, 2020. 

Para consultar as referências gerais do site, que embasam todos os conteúdos, acessar a página Nova Gramática On-line (Referências).

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